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4/27/2021

Saudade

 
 Saudade

Saudade é a imagem das recordações...
De luz acesa, crepitante chama
Que aquece a alma e gera evocações
E sem querer o desengano engana.

Saudade é um verso feito de emoções...
Acre perfume que a doçura emana
Torpor que entrando em nossos corações
Quanto mais embriaga, mais inflama...

Doce abandono... Ausência merencória...
De um passado distante a viva história
Que em nós conserva uma lembrança pura.

Saudade é o silvo agudo de um lamento
Que escutamos no perpassar do tempo
Como sendo delícia e amargura.


Bernardina Vilar


Agradeço sua visita. 
Volte sempre e comente!



Saudade

 

Saudade

Saudade é a imagem pura, viva, acesa
Fixada no olhar enevoado
Pelo pranto que corre com leveza
Sobre um rosto tristonho, amargurado.

Saudade é o riso pálido... É a tristeza
Que agita o peito, o coração magoado...
A despedida... O adeus e a incerteza
De ver em breve aquele ente amado.

Ver na rua a neblina, deslizando
Na bicicleta um vulto desfilando
Lembrando o neto que está distante.

E sentir logo os olhos rasos d’água,
Sentir no peito uma profunda mágoa
Nesta lembrança perenal, constante.

Bernardina Vilar


Agradeço sua visita. 
Volte sempre e comente!



Saudade



Que noite linda! Sim, mas que tristeza
Abrange o ar e acoberta a serra!
O céu imerso em sideral beleza
Chora um pranto de estrelas sobre a terra.

Paira o silêncio em toda a natureza!...
A cortina das sombras se descerra
E a lua brota como vela acesa
Tudo envolvendo no palor que encerra.

Que paz tranquila! Que serena calma!
E eu pasma em frente à dor que me apavora
Não te encontro e me cresce a ansiedade...

Do pranto o encanto me anuvia a alma
E nesta angústia que me punge agora
Sinto que és tu minha maior saudade.

Bernardina Vilar



Agradeço sua visita. 
Volte sempre e comente!



Uma Saudade a Mais


Uma saudade a mais

Saudade a gente sente a qualquer hora:
Do bem maior que se nos vai deixando.
Saudade de um amor que foi embora,
De alguém que parte a nos deixar chorando.

Das venturas que não se tem agora;
Da flor pendida o prado perfumando
Da voz da fonte que aos soluços chora,
Da luz da lua a terra prateando.

Da igreja iluminada onde em criança
Rezamos com inocência e confiança
Preces a Deus com fé tão incontida!

Mas há sempre um lugar em nós guardado
Para abrigar no coração magoado
Um saudade a mais em nossa vida.


Bernardina Vilar



Agradeço sua visita. 
Volte sempre e comente!



10/08/2014

SAUDADES



Saudade é o longo espaço do momento
Em que murcharam nossas esperanças
É o sonho que restou no pensamento
Como uma apoteose de nuanças.

Saudade é conservar bem vivo, atento
O amor passado, cálida lembrança!
É contemplar sozinho ao desalento
A extrema solidão que em nós descansa.

Saudade é um coração pulsante forte,
Palpitante, ansioso, inconsolável
Por ver o aproximar de uma partida.

E ser logo atingido pela morte
De seu amor tão grande, inigualável,
Consumindo num adeus de despedida.

Bernardina Vilar
de Bom dia, Saudade

9/18/2014

PRECE


De Deus eu quero a luz que me ilumine,
Do ser humano um pouco de bondade;
Do mal quer fiz, perdão que me redime
E da ilusão a grata realidade.

Do coração eu quero o amor que imprime
N’alma o fulgor da justa caridade;
Do sofrimento a lágrima que exprime
O bálsamo da dor, da acerbidade.

Da inocência a pureza que irradia,
Do pássaro cantor, da voz o encanto
E das campinas o olor inigualável.

Dos felizes, um pouco de alegria...
Dos que sofrem o alívio de seu pranto;
Da humildade e da paz o gosto afável.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

9/11/2014

COMO A PRIMAVERA


Se nasce a flor nos prados verdejantes
Ornamentando as orlas do caminho,
Voltam as andorinhas voejantes
Procurando os beirais do antigo ninho.

Adejam em semi-cÍrculos, doidejantes
Buscando o aconchego de um carinho ...
E com as asas ruflando, estonteantes
Chegam se agasalhando de mansinho.

A quem já não mais crê volta a esperança!
Vem a ilusão e os sonhos, a quimera...
Que vão e voltam no passar dos anos...

E como não me foges da lembrança
Quero que voltes como a primavera
Pra florescer meus tristes desenganos.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

FUNERAIS


Silenciosa a tarde se estremece
Nos estertores de uma dor imensa!
Só murmúrios no ar. Quanto padece
Na agonia mortal, cruel, intensa.

Nem um raio de sol à terra desce!
E os sinos evocam a voz da crença;
Nuvens ajoelhadas fazem prece
Na mais sutil e doce indiferença.

As flores tristemente estão chorando!
E pelo espaço infindo e desolado
Enorme véu de sombras vem descendo.

E do regato as águas vão rolando
Num gemido de dor, angustiado
Tudo porque o dia está morrendo.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

TARDE TRISTE


Chove. A tarde triste está nublada...
E melancólica a chuva cai de leve...
Sutil, silenciosa e embaçada
Como se fosse um grande véu de neve.

Há silêncio no ar. Pela calçada
Desliza o pranto que a esta chuva deve.
Molha as plantas. E a rosa desbotada
Sente fugir a sua vida em breve.

O tempo transformou-se. Escurecendo
Fugiu o sol. E nuvens pesarosas
Derramam lentamente um frio pranto.

O silêncio as lembranças envolvendo
Traz saudade em recordações chorosas
Num cenário de encanto e desencanto.

Pinheiros, São Paulo - 26.12-1989


Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

RIO PARANAPANEMA





As entranhas da. terra penetrando
Sereno e calmo o rio vai correndo
Entre matas e morros deslizando
Moroso e lento, curvas descrevendo.

Tranqüilo e belo segue se arrastando
Pretensioso, o vale percorrendo
Nas águas as paisagens espelhando
Como imagem de paz oferecendo.

E com soberania ei-lo seguindo
Orgulhoso e sutil, indiferente,
Como um braço de mar de águas mansas.

Não lhe importa 0 que deixa. Prosseguindo
Vaidoso e forte vai marchando em frente
Como quem busca novas esperanças.

Ourinhos - São Paulo - 25 .12.89

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

PARALELAS



Pela margem esquerda eu vou seguindo
E na orla direita vais andando...
Assim, distanciados, vamos indo,
E entre nós um rio deslizando,

Se 0 crepúsculo tristonho vai caindo
Eu sozinha já estou me retirando
Mas se a aurora desponta e 0 sol vem vindo
Certamente tu vens te aproximando.

Não te encontro e nunca me acompanhas
Mas nossas almas, solfejando hinos
De esperanças modulam árias belas,

E só nos vem desilusões tamanhas!...
Tudo isto porque nossos destinos
Simplesmente são linhas paralelas.

Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

DIMENSÕES


Maior que a imensidão do firmamento
Ou a. vastidão do mar que nós tememos;
Maior que força eólica do vento,
Do sol a pino a luz que recebemos,

Maior que a rapidez do pensamento
Ou o vácuo do infinito que nós vemos;
Maior que a noite triste de um lamento
Ou que as desilusões que nos sofremos;

Com nada se compara a imensidade
Da dor sofrida que do amor se arvora
Se não se tem 0 que deseja ter;

Maior que a intensidade da saudade
E a tristeza sem fim que me devora
Quando me vejo longe de você,


Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

NOITE DE SÃO JOÃO


Regurgita-se o plácido arraial
Desde o surgir do sol lá no nascente
Engalanado para o festival
Coroado de luz, galhardamente.

Fogueiras espalhando alegremente
Crepitações festivas, sem igual,
Brincando ao seu redor, garbosamente
Crianças de semblante angelical.

Noite feita de risos e de amores...
De artifícios os fogos de mil cores
Enfeitam de esplendor a imensidão.

E o céu colorido de balões
Faz pulsar de alegria Os corações
Com os festejos da Noite de São João.


Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade!’ (1995)

ROTINA


A vida é sempre a mesma. Uma rotina.
Há flores despontando, outras morrendo
Há pássaros cantando entre a campina
E há ninho vazio adormecendo.

De luar, há brancura em luz divina,
E noite escura em trevas se envolvendo;
Rio cantarolando. Frio, neblina,
E terra ardendo em brasa se estorcendo.

Há sorrisos, cantares, dor e pranto
Mal divididos. A uns fica a lembrança...
Outros vivem feliz realidade.

Assim decorre a vida. E por encanto
Em cada amanhecer ha uma esperança
E em cada pôr-do-sol uma saudade.


Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade’ (1995)

9/05/2014

LÁGRIMAS PERDIDAS


Não consigo saber se alguém me ama,
Se acaso alguém merece este meu pranto;
Por mim não sei também se alguém derrama
Uma lagrima de amor que vale tanto!

 E quanto mais o meu sofrer se inflama
Mais eu sinto o sabor do desencanto;
Quanto mais choro e a dor de mim se emana.
 Mais me envolvo num doloroso encanto.

 Chorar? Nem sei por quem! Só sei que choro!
E peço a Deus e a soluçar imploro
 Que me diga se devo assim chorar...

 E as minhas pobres lágrimas perdidas
Vão rolando talvez despercebidas
Porque afinal ninguém me sabe amar!

 Bernardina Vilar
In ‘Bom dia, Saudade’ (1995)

9/03/2014

BOM DIA, SAUDADE


Bom dia, meu amor! Tudo desperta
Para um dia de novas esperanças!
E eu vejo o sol pela janela aberta
Do infinito, no início das andanças.

Mas eis que nuvem turva lhe acoberta
E fixa em meu olhar tristes lembranças
Foge o sol, foge a luz, e a a dor me aperta
O coração, que esta tristeza alcança.

Bom, minhas flores que murcharam!
Meus pássaros que tristes se calaram
Envoltos por um véu de soledade.

Bom dia, então, minha tristeza triste
Que dentro de mim, em me magoar persiste...
Bom dia, meu amor, minha saudade!

Bernardina Vilar
De: Bom dia Saudade

SAUDADE


Saudade é uma dor suave e forte!
Cicatriz a sangrar dentro da gente. . .
E a vida em flor com sensação de morte;
Amanhecer com sombras de poente.

Saudade! Insônia de quem não se importe
De sonhar envolvido em sono quente.
Nuvem de sol, calor que desconforte
A alma gelada, tiritante e ardente.

Saudade é a expressão indefinida. . .
Verso incompleto de canção dorida...
Minuto que se fez eternidade!

Recado extraviado no caminho. . .
A paz da ave que perdeu seu ninho...
Melodia de pranto é o que é Saudade.

Bernardina Vilar

De: Bom dia Saudade

SAUDADE


Saudade é um sino triste bimbalhando
Na igrejinha branca de uma aldeia;
E um violão sonoro dedilhando
De uma noite, ao clarão da lua cheia.

Saudade é um rio cheio transbordando
Lançando ao longe turbilhões de areia;
É a cachoeira se precipitando
Jogando as águas no furor que ateia.

Saudade é uma manhã de sol nascente
Com gotinhas de orvalho ornamentando
As flores de um jardim, desabrochadas...

E a gente a contemplá-las docemente
Percebendo que em nós estão faltando
Todas as alegrias desejadas.

Bernardina Vilar

de Bom dia Saudade

SAUDADE

Saudade é aquela estrela cintilante
Que fugiu, se apagou tão de repente
E no percurso de um vagar errante
Fez da nossa alegria, dor latente.

Saudade é a ilusão do eterno instante
Vibrando forte, audaz, dentro da gente,
Sentimento ferino, estonteante,
Em nosso íntimo agindo docemente.

Saudade é um silêncio tenebroso,
Frio, agreste, fatal, misterioso
Que nos fere, maltrata e acalenta.

Saudade é a tristeza de um momento
Rodopiando em nosso pensamento
Tornando nossa vida em morte lenta.

Bernardina Vilar

de Bom dia Saudade

SAUDADE



Saudade. Lua cheia se elevando
Pelos azuis dos céus em noite mansa
Prateando os espaços e espalhando
Sobre a terra a luz branca da bonança.

Saudade. Estrada longa procurando
Achar na mata o verde da esperança.
E o seresteiro ao violão cantando
De um mistério insondável, uma lembrança.

Saudade. O grito agudo de um lamento
Que se mistura ao sibilar do vento
E bate em cheio em nosso coração...

... A sublime visão de quem amamos
Que fugindo de nós nunca alcançamos
Mesmo retida na recordação.


Bernardina Vilar

de Bom dia Saudade